Miguel Pereira [PT]

dança
PEÇA PARA NEGÓCIO
Teatro Académico de Gil Vicente
10 de novembro, sábado, 21h30
60′ | M/6 | 5€ – comprar bilhetes

© Lais Pereira

Ter uma nova estratégia.
Tornar o meu trabalho mais atractivo, mais rentável!
Pegar nos elementos que já lá estão, baralhar, dar de novo, mudar a embalagem.
E mostrá-la ao mundo, numa nova investida global, planetária mesmo!
Pensar em grande! (…) Isto tem que ser uma coisa grandiosa!

[texto de Miguel Pereira em “Peça para Negócio”]

 

Quando comecei a pensar e a delinear esta criação achei que, num momento de desaceleração de obrigações de calendário, poderia dar-me espaço e tempo para reflectir e entender melhor aquilo que me atravessa hoje como pessoa e como artista e de que modo isso seria traduzível num solo. Procurei encontrar um objecto que conseguisse juntar no todo as convicções (artísticas) e simultaneamente contivesse uma estratégia de sobrevivência.

Apercebi-me que ando neste trabalho há mais ou menos 25 anos, a pensar e a experimentar formas de falar sobre a minha visão pessoal e íntima perante a complexa experiência do mundo, projectada e ampliada no quadro da cena e do teatro. Tentei nunca sobrepor a necessidade económica (ou material) à necessidade artística. Para mim sempre houve uma atitude “amadora” na forma como me entreguei ao prazer do fazer artístico, que como dizia Barthes é aquele que “ama” o que faz. Só depois vem a profissão e o status.

Mas perante um mundo cada vez mais veloz e capitalizado como o que vivemos, parece que o espaço para o tempo de experimentar, errar, andar à deriva, procurar, perder-se, reencontrar-se (o tempo do amador) se foi perdendo. Então o instinto e a necessidade de sobrevivência começaram a sobrepor-se a todo e qualquer devaneio artístico.

Quando se decidiu que a apresentação do solo seria no Espaço do Negócio em Lisboa, achei que o nome do lugar se tornava um bom tema e definia uma estratégia. É possível pensar lucrativamente perante a natureza e o objecto de uma pesquisa artística? Como gerir esse paradoxo? Como reinventar-se nos momentos em que questionamos a nossa própria capacidade de superação? Como não cair no esquecimento?
Miguel Pereira

 

concepção e interpretação Miguel Pereira
colaboração dramatúrgica Joclécio Azevedo
apoio artístico Nuno Lucas
luz e participação especial José Alho
co-produção Negócio/ZDB
produção O Rumo do Fumo
residências artísticas Circular Associação Cultural, Negócio/ZDB e O Espaço do Tempo
apoio Forum Dança
agradecimentos Ana Pais, Antonio Tagliarini, Dina Magalhães, Luísa Veloso, Marta Furtado, Natxo Checa, Paulo Vasques, Pedro Nuñez e Rui Catalão
agradecimento especial a Sérgio Matias pela colaboração na fase inicial do projecto

projecto financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian
o Rumo do Fumo é uma estrutura financiada por Ministério da Cultura / DGArtes

 

MIGUEL PEREIRA frequentou a Escola de Dança do Conservatório Nacional e a Escola Superior de Dança de Lisboa. Foi bolseiro em Paris e Nova Iorque. Como intérprete trabalhou com Francisco Camacho, Vera Mantero e Jorge Silva Melo, entre outros. Trabalhou com Jérôme Bel em “Shirtologia (Miguel)”. Como criador destaca “Antonio Miguel”, com o qual recebeu o Prémio Revelação José Ribeiro da Fonte e a menção honrosa do Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian (2000). Tem apresentado e lecionado na Europa, Brasil, Uruguai e Chile.
www.orumodofumo.com

 

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